sábado, 1 de novembro de 2014

ENTREVISTA COM O VICE-PRESIDENTE, ENG. ANTÓNIO MARQUES

Nota do editor
Para lançamento da nova época desportiva e tendo a consideração o interesse de reforçar "as ideias padrão" defendidas pelo Vice-presidente das Amadoras, repetimos na integra, a entrevista dado pelo Eng. António Marques a 27 de Julho do corrente ano

Para fazermos uma ligação entre as duas épocas desportivas (passado e futuro a curto prazo), a que terminou há alguns dias e a próxima, a iniciar no próximo mês de Agosto, fomos conhecer o parecer do responsável pelo sector das Actividades Amadoras do Boavista, o Vice-presidente Engenheiro António Marques. Numa entrevista, na qual são dissecados todos os pormenores sobre as modalidades Amadoras Axadrezadas.


Terminada mais uma época desportiva, é hora de se fazer um balanço global. Foi mais fácil ou mais exigente que o esperado? Quais as maiores dificuldades que encontrou?
Poderei dizer que em termos organizacionais decorreu dentro do que era previsível e, na minha opinião, decorreu de forma positiva.
Em termos de resultados desportivos posso afirmar que, globalmente, ultrapassamos largamente as expectativas que tinhamos quando “arrancamos” a época.
As principais dificuldades que encontramos também não foram surpresa: conseguir obter os meios financeiros necessários para que as Modalidades pudessem desenvolver as suas atividades competitivas em toda a época, cumprindo com todas as suas obrigações financeiras e “libertando” o  mais possível a Tesouraria central do Clube. Como é público, o Clube tem obrigatóriamente de cumprir um conjunto de compromissos no ambito do PER (para além de todas as suas despesas correntes), de forma que as Modalidades Amadoras terão de ser finaceiramente autónomas e, não tendo instalações próprias em várias dessas Modalidades, os custos que são necessários assegurar são, de facto, muito elevados. Naturalmente que, uma vez mais, contamos com o apoio da “Associação de Amigos do Boavista” e, o que foi decisivo, também contamos com a enorme ajuda de familares de Atletas, nomeadamente na colaboração nas iniciativas que realizamos para angariação de receitas e na ajuda fundamental no transporte de Atletas para treinos e competições.
Realço também as excelentes “parcerias” que estabelecemos com o Agrupamento da Escola Fontes Pereira de Melo e com a Escola Clara de Resende que nos permite algumas soluções para treinos, nomeadamente com a utilização do ginásio da Escola Clara de Resende para a nossa formação de Voleibol e com o Pavilhão da Escola Maria Lamas para as nossas equipas de Andebol. Em termos pessoais e enquanto responsável do Boavista, quero manifestar o agradecimento a ambas as Instituições e, muito em particular, ao Dr. José Mário Cachada que tem tido uma excecional sensibilidade para colaborar, em várias frentes, com o Boavista F.C. 
Internamente o Engenheiro tem a sua “máquina” organizada. Sente que os diversos departamentos das modalidades já se inseriram e adaptaram às directivas que acha indispensáveis, para o melhor funcionamento?
Sim, tenho o previlégio de trabalhar com um conjunto de Diretores que já me conhece há vários anos e que sabe que a minha forma de atuar e de intervir.
A Vice-Presidência das Modalidades Amadoras é constituída, para além de mim, de mais 2 Elementos: O Vice-Presidente Adjunto, Dr. Carlos Santos e a Coordenadora das Modalidades Amadoras, Profª Sara Monteiro.
A nossa forma de atuar com as várias Modalidades resume-se em poucas palavras: existe um conjunto de orientações nas várias vertentes que cada Diretor conhece e tem de respeitar. Também temos um “Regulamento Interno” que serve de “guião” para todos os Agentes desportivos envolvidos nas Modalidades (naturalmente que sem colidir com as normas deste regulamento geral, cada Departamento pode e deve ter um regulamento interno próprio que tenha em consideração as especificidades da sua Modalidade). Assim, conhecendo cada Diretor as suas regras de funcionamento e sabendo onde começa e acaba a sua responsabilidade direta, cada um tem uma grande autonomia na gestão do dia a dia da sua Modalidade. Naturalmente que existe a obrigatoriedade de nos manter sempre devidamente informados do que vai acontecendo ao longo do tempo.
Com o regresso do Boavista, ao primeiro escalão de futebol, há quem espere que a gestão das modalidades seja mais fácil, mas há quem pense rigorosamente o contrário. O que pensa sobre isso?
Concretamente ao nível da gestão, considero que o facto de o nosso Futebol Profissional regressar ao lugar de onde nunca deveria ter sido retirado (a 1ª Liga) nada muda ao nível do rigor que terá sempre de existir. O que poderá e deverá acontecer é o aumento da visibilidade, notoriedade e credibilidade do Clube, o que poderá contribuir para que algumas Entidades ou Empresas se nos associem como forma de promoção da sua marca ou produtos que comercializam.   

Todos são unanimes, num ponto. A falta de espaço para treinos e jogos. Como conseguiu esta época gerir as contas de despesas com os pavilhões, sabendo (eu, por razões profissionais) que o Boavista atingiu o final da época com todas as contas pagas à Porto Lazer?
É uma realidade que o nosso principal problema reside no facto de nas Modalidades de pavilhão necessitarmos de recorrer a espaços desportivos exteriores ao Clube para os treinos e competições. Como atrás referi, temos protocolos de cooperação com a Escola Clara de Resende e com o Agrupamento Fontes Pereira de Melo que contribui para ultrapassar uma pequena parte das nossas necessidades. Mas, sendo muito importantes estes protocolos, para mantermos os níveis competitivos que as várias equipas do Clube exigem, temos de recorrer diáriamente ao aluguer de pavilhões da Porto Lazer, Infante Sagres e Escola Carolina Miccaellis. Este facto implica um enorme esforço financeiro que é partilhado diretamente pelas Modalidades, pela “Associação de Amigos do Boavista” e pelas verbas obtidas através de iniciativas da Vice-Presidência e das nossas Modalidades de Ginástica, Judo, Karaté e Kenpo. 

A Câmara Municipal, através da Porto Lazer, colaborou (facilitou) com alguns pormenores para equilibrar as despesas?
Tem havido ao longo do tempo uma boa relação com o anterior e o atual executivo da Camara Municipal do Porto e com os Responsáveis da “Porto Lazer” no sentido de serem criadas algumas condições de cooperação entre ambas as Instituições.
O Boavista F.C. neste Departamento (Modalidades Amadoras) teve em atividade permanente na época que agora termina, 13 modalidades desportivas (futsal masculino, voleibol feminino, andebol masculino, futebol feminino, desporto adaptado, hoquei patins masculino, ginástica, judo, karaté, kenpo, Aikido, boxe e kickboxing) e proporcionou a prática desportiva regular a mais de 1.200 Atletas. Trata-se de um enorme contributo do Clube para o serviço público que é, em termos constitucionais, uma obrigação do Estado. Naturalmente que a Camara Municipal do Porto não é alheia a este esforço que o Boavista F.C. tem vindo a desenvolver e irá, seguramente, já na próxima época aprofundar a sua colaboração com o Clube. Seria de todo incompreensível que essa situação não viesse a suceder. Em todos os contactos que temos vindo a estabelecer com os principais Responsáveis autárquicos (Presidente da C.M.Porto, Administração da Porto Lazer e outros) ficamos com a certeza do seu reconhecimento pelo trabalho que o Clube há largos anos tem vindo a desenvolver e com a convição de que tudo irão fazer para nos proporcionar as melhores condições possíveis que permitam que este trabalho que temos vindo a realizar não só se mantenha como possa, eventualmente, vir a ser reforçado.


Quer divulgar os resultados considerados mais positivos ou significativos desta época? Quantas modalidades existem, no momento, no Boavista? Durante a época, iniciou-se ou consolidou-se alguma nova modalidade?
Como atrás referi foi uma época difícil (o que não foi nenhuma surpresa) mas com resultados globalmente muito positivos que suplantaram as nossas previsões iniciais. Em termos sintéticos passo a referir os factos mais relevantes por cada uma das treze Modalidades:

            BOXE – revalidamos o Titulo nacional da 1ª Divisão e a Taça de Portugal
            KICKBOXING – uma nova modalidade que se iniciou no inicio da época e onde obtivemos vários titulos regionais e outros resultados relevantes.
            GINÁSTICA – vários titulos regionais e nacionais conquistados e várias participações em saraus e galas nacionais e internacionais nas várias especialidades que constituem esta nossa Modalidade: ritmica, artística, acrobática, play gym, baby gym, gimnastrada.
            JUDO – alguns titulos nacionais e regionais obtidos e excelentes classificações em competições internacionais.
            KARATÉ -  resultados relevantes em competições regionais e nacionais
            KENPO – modalidade em franca expanção no Clube ao nível da quantidade de praticantes.
            AIKIDO – modalidade em inicio de atividade no Clube.
            HOQUEI PATINS – modalidade recente no Clube. Participamos na 3ª Divisão Nacional e obtivemos o 3º lugar no campeonato regional do Porto.
            DDA – Futsal Adaptado – 3º lugar no campeonato nacional e 2º classificado na Taça de Portugal // Futebol 7 Adaptado – 2º lugar no campeonato nacional // Tiro Adaptado – excelentes resultados do nosso Atleta, Bruno Valentim, que está já integrado no estágio para os próximos Jogos Paralímpicos.
            FUTEBOL FEMININO – participação honrosa da equipa sénior no campeonato nacional da 1ª divisão (6º lugar) – titulos distritais nos escalões sub-15 e sub-19 (neste caso com o pleno de vitórias nos 24 jogos realizados) e resultados meritórios na equipa sénior “promoção” e nos outros escalões de formação.
            ANDEBOL – subida á 2ª Divisão Nacional da equipa sénior e excelentes resultados nos vários escalões etários de formação
            VOLEIBOL – 2º lugar no campeonato nacional da 2ª divisão (iremos disputar no próximo mês de setembro a possibilidade de na próxima época podermos vir a competir na 1ª Divisão Nacional) e resultados meritórios nos escalões de formação
            FUTSAL – excelente participação da nossa equipa sénior no campeonato nacional da 1ª Divisão Nacional (fomos apurados para o play-off final onde fomos eliminados nos oitavos de final pelo Sporting que se viria a sagrar campeão nacional) e resultados meritórios nos vários escalões de formação.

Realço ainda a organização de alguns importantes eventos, nomeadamente:

            - “Final Four” do Campeonato Nacional da 2ª Divisão de Voleibol Feminino – organização do nosso Departamento de Voleibol e que contou com o apoio da “Porto Lazer” e da “Associação de Amigos do Boavista”. Este evento realizou-se no Pavilhão da Escola Fontes Pereira de Melo.
            - “Gala dos Campeões” de Boxe – realizada nas instalações do Estádio do Bessa e com organização do nosso Departamento de Boxe.
            - 3 “Saraus” das nossas classes de Ginástica, Judo, Karaté e Kenpo (dezembro de 2013, abril e julho) – organização do nosso Departamento de Ginástica. Dois destes eventos foram realizados no Pavilhão dos Congressos em Matosinhos e o sarau de final de época realizou-se no Pavilhão Municipal da Maia.  
            - “Campeonato Nacional de Ginástica Ritmica – conjuntos” – realizada nas excelentes instalações do Velódromo de Sangalhos sendo a organização partilhada entre o nosso Departamento de Ginástrica e a Federação Portuguesa de Ginástica.

 Que objetivos, tem para a próxima época?
Com a sua equipa de futebol profissional injustamente relegada para os escalões secundários da modalidade durante seis longos anos, e sendo o futebol profissional o seu principal impulsionador e aglutinador, o Boavista F.C. viveu, globalmente, uma situação absolutamente dramática. Neste período negro provocado por alguns irresponsáveis cujos rostos jamais esqueceremos, e em que vimos partir muitos dos Funcionários e Colaboradores que muito contribuíram para o engrandecimento deste Clube que irá completar 111 anos de existência no próximo dia 1 de agosto, todos os objetivos desportivos ficaram fortemente condicionados. Mesmo com todos esses problemas, o Clube manteve o seu forte ecletismo continuando a contribuir para que muitos jovens pudessem praticar o seu desporto favorito e não enveredassem por modos de vida menos recomendáveis e saudáveis.
Com a nossa reintegração na 1ª Liga do futebol profissional na próxima época desportiva, que apenas parcialmente repõe alguma justiça (outras ações estão em curso para que os prejuízos que nos foram causados sejam, pelo menos, minimizados), julgamos que esta próxima época será o ano “zero” do Clube e de começar a criar condições para no futuro próximo todas as nossas Modalidades desportivas possam, de novo, “ombrear” com os principais emblemas nacionais.
Naturalmente que com os resultados obtidos na época que agora termina, os nossos objetivos para a próxima época apontam no sentido de,  no mínimo, mantermos as “performances” atingidas que, como anteriormente referi, em todas as Modalidades foram claramente positivas.

Fiel ao lema “se não se poder começar… não iniciamos, mas se iniciarmos, não paramos” prevê que alguma modalidade esteja em dúvida de participação na próxima época?
Não temos qualquer intenção de parar com alguma das nossas 13 Modalidades. Quando acedi ao convite que me foi feito pelo Dr. João Loureiro em dezembro de 2012, não foi seguramente a pensar em liderar nenhuma “comissão liquidatária” mas sim para contribuir para consolidar e, se possível,  reforçar o ecletismo do Clube. Como sabe, mesmo passando por todas as dificuldades que são conhecidas, o Boavista F.C. continua a ser um dos mais ecléticos Clubes nacionais. Naturalmente que, tal como refere, só avançamos quando temos a convição que estão reunidas as condições para lhe dar a completa sequência durante toda a época. Essa situação já foi claramente colocada aos Diretores das Modalidades que poderiam ser mais problemáticas face á indisponibilidade de meios próprios para treinos e dos custos inerentes para ultrapassar essas limitações. A resposta que me foi dada não me deixou dúvidas: todos estamos motivados para continuar e procurar condições para melhorar.
Pelo contrário, existe intenção de aumentarmos o número de Modalidades no Clube desde que as mesmas tenham a necessária sustentabilidade. A  médio prazo essa situação será definida.


Não sendo um profissional do Clube, o Engenheiro marca presença frequente no Bessa. Para o futuro, acha que possível manter essa disponibilidade para o Boavista, ou com o andar dos tempos, a “máquina” pode aliviar todo o seu empenhamento?
Já há muito tempo que faz parte da minha rotina diária terminar o meu dia de trabalho no Bessa. Naturalmente que devido ás grandes dificuldades financeiras com que o Clube se tem debatido nos últimos anos, a minha atividade no Clube passou a ser mais intensa. A gestão propriamente dita das várias Modalidades está integralmente á responsabilidade do Diretor de cada uma delas e dos seus diretos Colaboradores. A atividade da Vice-Presidência (minha e dos meus colegas da Vice-Presidência) para além do normal controlo das atividades dos vários Departamentos no que ao cumprimento das regras e orientações diz respeito, está muito ligada á obtenção de receitas absolutamente obrigatórias que assegurem o pagamento de um conjunto de despesas necessárias ao normal desenvolvimento de algumas das Modalidades (com particular destaque as inscrições associativas e federativas e o pagamento de pavilhões para treinos e jogos).
Tal como atrás referi, considero que esta próxima época não será muito diferente da que agora terminou.
Estou entretanto convicto que daqui a um ano quando a próxima Direção do Clube (o próximo ato eleitoral deverá realizar-se em junho de 2015) iniciar a preparação da época 2015/2016 a minha profunda convição é que a situação poderá ser diferente para melhor. 

A curto prazo, quais as dificuldades esperadas, que lhe tiram o sono?
Não sou pessoa de perder o sono devido a problemas (sejam eles pessoais, profissionais ou relacionados com o Clube).
Quando eles surgem, só tenho uma forma de atuar : analiso-os, estudo a melhor maneira de os ultrapassar e depois empenho-me e envolvo-me na sua resolução. Depois, duas situações podem acontecer: ou o resolvo ou não sou capaz e neste caso só poderá existir, eventualmente, uma solução: procurar alternativas. Ou consigo encontrá-las ou esqueço e “parto para outra”.

Uma pergunta final que muitos adeptos que acompanham as várias modalidades frequentemente comentam. Sente que os vários Departamentos do Boavista F.C. estão com as Modalidades Amadoras e, de facto, colaboram ou, simplesmente só pensam no futebol profissional ?
Não tenho qualquer dúvida que qualquer meu colega de Direção tem especial prazer em pertencer a um Clube tão eclético como é o Boavista F.C. e, seguramente, todos desejam o melhor para as nossas Modalidades.
Não posso no entanto deixar de referir que o esforço em prol do Clube e do seu ecletismo, dos cerca de 1.200 atletas das Modalidades Amadoras e dos mais de 170 Dirigentes, Técnicos e demais Colaboradores, merecia da parte de todos os Departamentos do Clube uma atenção e uma colaboração mais efetiva. É um tema que, num futuro próximo, irá naturalmente ser analisado e discutido em sede própria.
  
Entrevista de

Manuel Pina Ferreira

             



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